Inferno Astral

22 anos….

vc está ficando velho, cara …

no outro dia me dei conta da proximidade do meu aniversário novamente … daquele ritual dostoievskiano – existencialista de celebração … de celebração?

22? porque então parece que 87 anos? 22 anos simboliza uma idade tenra, uma coisa juvenil … mas me sinto um verdadeiro idoso, um ser amargurado, que parece ter vivido uma centena de anos e que da existência não há muitas coisas que o podem surpreender …

não vou ficar me lamentando e me martirizando …. tá bom … vou sim … e foda-se

sabe … até tenho algumas conquistas pessoais para se comemorar…

depois de duas décadas e pouco, uma mulher finalmente tocou nos meu lábios secos, ressecados e angustiados …. [nota: começa a chover torrencialmente do nada no centro da cidade, deve ser jesus]

sim … foi a noite mais feliz da minha vida em muito tempo … descobri uma nova necessidade fisiológica para me atormentar … fiquei bastante bêbado … e com as melhores cervejas que o dinheiro judeu fruto não de seu trabalho pôde comprar na ocasião …

Mas foi uma noite triste também … pq sabia das impossibilidades e dos desencontros … a situação pareceu possuir mais uma entonação de favor, de um favor a um moribundo, quase um tiro de misericórdia … o moribundo agradece … pois nunca lhe tinha ocorrido nada semelhante antes … foi genial … mas foi triste tbm … triste que se levarmos em conta uma média matemática … talvez ocorra de novo daqui há umas 2 décadas …

e passou … sobrevivi … a vida sobreveio … me ultrapassou e seguiu seu curso e desenrolo natural … óbvio …

Não posso negar que me me é muito complicado, existencialmente falando, manter a amizade segura de minha melhor amiga … por motivos óbvios …

Mas “deus” [hahaha] tem me dado forças para superar os deslizes cometidos e tive a iluminação de que “we’re only humans” … e de toda a limitação intelectual da condição humana … me sinto o pior dos seres humanos … queria ser budista … queria transcender e superar as limitações impostas pelos sentimentos humanos … mas talvez perderia assim os últimos filamentos do que as pessoas chamam de humanidade … mas prometo que isso não será desculpa para novos deslizes … sei também que paciência alheia é finita e tem prazo de validade … mas estou disposto a arcar com essa consequência última e final …

Pois afinal … depois de algum tempo …. descobri uma coisa sensacional …. Eu sou mais feliz que Dostoiévski … sim … sou mais feliz que o russo mal … pois eu tive e ainda tenho … muito mais de que 1 minuto inteiro de felicidade … pois tua amizade me proporcionaste isso … e sou eternamente grato por isso … não que minha gratidão valha de muita coisa … mas ainda assim sou grato … na agonia da existência e da solidão, rachaste a parede de meu abrigo nuclear e uma luz cor de âmbar, avermelhada, arroxeada, penetrou pelas frestas sangrentas … e assim fui feliz.

Então como numa mágica de um bom livro … eu começo a escrever essas linhas me sentido completamente esmerdeado … e me lembro então … dos meus motivos de aleatoriamente poder abrir meu sorriso amarelado pela nicotina … me lembro que sou um hipócrita filho da puta [puta mesmo] e fico reclamando da vida que nem um idiota … mas em última instância é realmente a minha essência corpórea … sou grandiosíssimo idiota …

Mas os idiotas também têm sua cota de felicidades anuais  …. acho que até que bebi demais dessa fonte de alegrias cósmicas ….

Então celebro minha vida … celebro poque não deveria ser diferente … rio na cara da abjeção coletiva, rio na cara de meu destino russo que me quer morto … pois não sei bem porque, mas ainda estou vivo …

Não cometerei alguns dos erros de 365 dias atrás … celebrarei esse dia com que vier … com quem aparecer em minha humilde residência e for beber comigo … pois sei que por trás do véu empoeirado do destino, já tive minhas alegrias …

Me lembrei agora do poema do Uruguaio Eduardo Galeano, que foi musicado por Dado Villa-Lobos … Ah! o Uruguai! Não é uma Winchester, mas eu morreria lá tranquilamente também …

El parto

Tres días de parto y el hijo no salía:
-Tá trancado. El negrito tá trancado – dijo el hombre.
El venía de un rancho perdido en los campos.
Y el médico fue.
Maletín en mano, bajo el sol del mediodía, el médico anduvo hacia la lejanía, hacia la soledad, donde todo parece cosa del jodido destino; y llegó y vio.
Después se lo contó a Gloria Galván:
La mujer estaba en las últimas, pero todavía jadeaba y sudaba y tenía los ojos muy abiertos. A mí me faltaba experiencia en cosas así.
Yo temblaba, estaba sin un criterio. Y en eso, cuando corrí la cobija, vi un brazo chiquitito asomando entre las piernas abiertas de la mujer.
El médico se dio cuenta de que el hombre había estado tirando.
El bracito estaba despellejado y sin vida, un colgajo sucio de sangre seca, y el médico pensó: No hay nada que hacer.
Y sin embargo, quién sabe por qué, lo acarició. Rozó con el dedo índice aquella cosa inerte y al llegar a la manito, súbitamente la manito se cerró y le apretó el dedo con alma y vida.
Entonces el médico pidió que le hirvieran agua y se arremangó la camisa.
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Fragmentos de uma conversa sobre paliativos …

zzmedianeras999

“segundo sua orientação ocidentalista-cientificista, como vc acredita em interação medicamentosa e segue os padrões monogâmicos-unitários de medicação …. eu então só posso oferecer paliativos mesmo por agora … alem de seções de compreensão e terapia freudiana … se mudar de paradigmas me avise …”

“no fundo na verdade … sabemos da nulidade de sentido de nossa existência … então procuramos paliativos e argamassa de entretenimento para preencher nossa vida … uns se enchem de livros, outros de bebida, outros de novela da globo, outros de música, outros criam ainda uma “the wall” em volta de nós mesmos … fingindo estarmos nos distraindo de nossa vã existência… o fim é um só … “do pó viemos e ao pó retornaremos” .. o pó cosmico … no meio disso algumas pessoas chamam de vida …”

Recesso 2014 / 2015 …

Quase um ano sem escrever aqui …

Essa constatação se dá na semana em que reencontrei / revisitei meu Flogão … Sim eu tive um Flogão …. não era um Fotolog, mas … Analisando retrospectivamente observo rupturas e continuidades na jornada intelectual …

O Flog pré-adolescente muito carregado de sua ingenuidade, despudor característico de uma época de revoltas, cabelo espetado com gel NY Looks fator 4 Mega Forte, tempos em que não pensávamos que quase dez anos depois alguém escrevendo seu nome no Google, um dos primeiros resultados seria ele … época de pequenas paixões frustadas, grandes na época, mas abissalmente irrelevantes … se formos considerar as decepções que ainda viriam a se concretizar ….

Em questão de continuidade ainda vejo que (quase) ninguém comenta minhas postagens, seja por falta de divulgação ou por interesse mesmo … pelo menos superei o estigma de implorar por atenção e comentários …. se algum vier, será de quem realmente importa …

E cá estou, semi-alcoolizado, enchendo meus pulmões de nicotina e meus ouvidos de musicas sentimentais … Claro … o que se esperar depois de tentar mais uma vez, ficar horas em Tinders ou Badoos … só pra chegar no patamar de self-hate e desprezo próprio, velhos conhecidos … Sabe … Sabe que essas coisas me dão medo? Esses aplicativos ferem o teu senso de que não existem mais pessoas no planeta … quebra e rasga sua sensação de indivíduo sobrevivente único … Eles te mostram que pra além dos teus confinamentos subterrâneos há toda uma ordenação de jovens e seres humanos tentando desesperadamente clamar por atenção … O mundo vazio das fotos de decotes, as mulheres absurdamente lindas, ou das figuras horrendas que não sei da onde tiram auto-estima pra criar uma conta nesse lugares … ninguém nunca vai “curtir” essas pessoas … E mais uma vez me deixo levar e entre nesses sites … Pq ? Simples tédio e desespero … o velho sentimento mortal e petrificante que a solidão perpetra … A solidão é uma maldição … Um karma … Esse vazio … Essa falta de chão … A necessidade fulgurante, lancinante de encontrar algum outro ser humano que possa demostrar amor por sua pessoa … Sim é ridículo …  é cansativo … é utópico … mas afinal os seres humanos são seres gregários, né? Pelo menos às vezes ainda tentam ser … Sim … eu sei que o caminho não é esse … não vai acontecer um milagre divino e me salvar de mim mesmo … mas um ateu pode rezar tbm, não pode ? Rezar pra Roda da Fortuna girar um pouco mais no Bingo Cósmico da Vida … A humanidade parece não perdoar quem não consegue encontrar significação na própria existência, na própria vida … Não ser uma pessoa realizada ou não saber o que fazer da vida, esta maldita dádiva a que o acaso impôs … Amor-próprio ainda não é vendido nas drogarias da esquina …

Às vezes penso que são as mulheres … mas a homossexualidade não me atrai, acho que seria no máximo uma lésbica … até providenciaria que isso de fato ocorresse se significasse alguma mudança no status quo … mas me disseram que iria piorar … que eu seria uma lésbica “horrorosa” … hahahaha …

Mas para além de minha hipocrisia existencial, até que foi um ano muito bom, se formos parar pra pensar …

Bebi bastante, com pessoas que realmente importam na minha vida, … às vezes elas se confundem e ficam sem graça por eu acabar gastando meu dinheiro … mas gasto com quem importa … gasto com a maior felicidade da minha vida … se a minha conjuntura social em que nasci me permite judaicamente receber dinheiro e não ter com o que gastar que o valha efetivamente … resolvi gastar com as pessoas que acho que merecem …e assim farei enquanto puder .. de coração mesmo … já me disseram criticando “Pelo menos fulano está namorando” … bom se formos por esse caminho … se eu estivesse, estaria gastando o mesmo dinheiro e talvez com muita certeza até mais ainda … Pq são as pessoas que eu mais tenho afinidade nessa vida .. se não posso gastar o (meu) dinheiro com elas … fazer o que ?

Esse foi o ano de Mariana, Minas Gerais … uma viagem épica, um lugar maravilhoso …. Foi o ano do meu aniversário de 20 convidados que foram 2 … Mas que 2 dias depois juntei na minha casa pessoas que nunca achei um dia iriam se encontrar…  Foi o ano de eleições para centros acadêmicos … 2 fatos que me fizeram rever toda a minha rede de sociabilidade e a rever minhas conexões pessoais … Foi o ano do Festival de La Bière … paraíso terrestre e alcoólico … Foi o ano que meu cachorro teve bolo de aniversário … Foi o ano que levei meu pai no novo Maracanã … Foi o ano em que completei 1 ano no meu estágio … o melhor lugar pra se trabalhar no mundo …Foi o ano em me pai começou a namorar, pela primeira vez desde o divórcio … Foi o ano em que vi meu melhor amigo encontrar no amor a felicidade dele … Foi o ano em que tive medo do Aécio …

Foi, principalmente o ano em que consegui falar coisas que nunca tinha falado antes pra ninguém, e consegui sobreviver depois disso … Sigo caminhando, dando trombadas, surtando às vezes …sem mais sufocar, e eternamente grato pela amizade …  mas pelo menos tenho tentado ir frente … É um exercício diário … não sou de ferro tbm … (wait a sec, eu não estava bêbado e deprimido?) hahaha … talvez escrever, acalme a alma um pouco …

Pra terminar, o clássico “Projeto de Leitura” de fim de ano …

“Os Androides sonham com ovelhas elétricas” surpreendentemente um expansor do universo de Blade Runner magnífico !! Brilhante !! E ainda por cima, existencialista !!

“Confisque meu suplício! Revogue-o !” Maldito Maiakóvski e maldito Jakobson …

E depois de alguns aleatórios, sigo agora com Bauman, sobre Modernidade e Holocausto …

Parece que este projeto vai ser bem proveitoso … Vamos ver no que vai dar …

Força Sempre.

2014: mais um ano …

Mais um ano que passa e mais um ano que vem.
E com ele caio novamente no buraco vazio existencial que todo recesso ou férias trazem consigo.
Velhas feridas se reabrem e o cansado e cicatrizado coração volta a sangrar …
A solidão volta a preencher me minha mente.
Noite véspera do primeiro dia útil do ano: trabalhos pra entregar e a maldita incerteza e insegurança e desespero voltam a atiçar o consciente ….
Tento fugir das responsabilidades … vejo filmes e séries … como e fumo com se estivesse pra morrer …. ah … a morte … a velha conhecida companhia veio me visitar e me tentar ….
Tento analisar o ano que finda … vejo coisas boas .. mas a solidão ainda assola …
Como a nicotina não faz mais efeito … recorro ao velho amigo rivotril … estava vencido … Melhor ainda … tomei minhas 17 gotas da sorte …
Acordo como um zumbi … pior do que ontem …
Esperando o ônibus no ponto em baixo de um sol escaldante de uns 45′ …. espero em vão alguma coisa acontecer …
Sinto me fraco … como se estivesse pra desfalecer … queria que como no filme da Matrix ou Inception … tudo começasse a explodir e eu acordasse de um sonho ruim … um sonho de 20 anos … mas a velhas máximas se fazem atuais e presentes … como gostaria de beber da água daquele cipreste branco …

Ao som da soundtrack de Blade Runner … só falta aquele bom whiskizinho …

Enviado do Samsung Galaxy S3

Goodbye, my friend, goodbye (1925) – Есенин (Sergei Yesenin)

Original in Russian:

До свиданья, друг мой, до свиданья.
Милый мой, ты у меня в груди.
Предназначенное расставанье
Обещает встречу впереди.
До свиданья, друг мой, без руки,
без слова,Не грусти и не печаль бровей,-
В этой жизни умирать не ново,
Но и жить, конечно, не новей.

English Translation:

Goodbye, my friend, goodbye
My love, you are in my heart.
It was preordained we should part
And be reunited by and by.
Goodbye: no handshake to endure.
Let’s have no sadness — furrowed brow.
There’s nothing new in dying now
Though living is no newer.

Português:

Até logo, até logo, companheiro,
guardo-te no meu peito e te asseguro:
o nosso afastamento passageiro
é sinal de um encontro no futuro.
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.

Hipocrisia e a polivalência do Ser

“Sou um homem doente … Sou um homem despeitado. Sou um homem desagradável.” – Primeiras linhas de Notas do Subterrâneo – F. Dostoievski

No meu último texto disse que pautava minha vida e minhas decisões em experiências empíricas verificadas. Mas essa é uma meia-verdade. Falsa. Sou, na verdade, um grande hipócrita. Somente faço isso quando essas experiências ou fatos provam ser de natureza negativa ou pessimista. Quando nessa longa jornada, a qual chamamos estranhamente de vida, me ocorrem fatos ou eventos positivos, felizes ou simplesmente bons, eu os desvalorizo, os desclassifico, os inferiorizo e os descarto, como se fossem obras de um sinistro acaso, como que não pertencessem à um padrão mais rígido e linear, fossem meras exceções.

Oras, mas porque cargas d’água eu faço isso? Uma profunda descrença na felicidade genuína.

Polivalência do Ser.

Não estou me referindo à multiplicidade de personalidades que acometem às pessoas em geral. No trabalho somos uma pessoa, em casa outra, na faculdade outra e assim por diante, apesar de no fundo continuarmos a carregar uma espécie de essência comum. Não me refiro a isso.

Me refiro a luta constante, crônica e diária na qual me encontro. Uma “parte” minha não consegue, simplesmente é incapaz de acreditar em coisas boas e na felicidade. Tudo de bom que me acontece perde significância e é relegado a um segundo plano inferior. Essa “parte”, “voz”, gene defeituoso, debilidade química, autoestima nula, ou o que vocês quiserem chamar, ela é “quase” masoquista, e trabalha constantemente para sabotar a minha vida em todos os aspectos possíveis. O problema é que existe uma segunda “parte”, uma parte que não QUER ser infeliz e continuar a se auto-depreciar, uma parte que ainda quer acreditar que a felicidade é possível, que ainda podemos ser amados e conseguir coisas boas na vida.

O pior e o mais aterrorizador disto tudo é a maldita consciência. A consciência de tudo isso. E a confusão mental. Princípio de esquizofrenia ou o quer que seja. No momento que você perde a linha frágil que distingue e separa essas vozes, você não sabe mais o que ou porque está fazendo, se é por vontade “própria” ou não. Merda! Qual doença faria alguém desejar o próprio fracasso e infelicidade ? Eu realmente quero ser feliz, só não consigo acreditar que é possível. Me sinto como no Fight Club e pelo menos duas pessoas habitassem meu ser e minha cabeça … isso produz uma angústia incrível … surreal … Um desespero genuíno e medonho … É difícil transcrever a sensação … é realmente muito absurdo e complicado … Essa desgraça desse existencialismo maldito …. Um ciclo vicioso … uma bad trip crônica … como sair disso tudo ? Quebrar esses paradigmas e acabar com tudo isso ? A morte às vezes parece uma solução … mas falta coragem …

Me lembro de um sonho que tive quando era adolescente. Eu era um soldado medieval. Lutava em uma guerra épica bravamente. Acabo sendo ferido mortalmente, mas a guerra acaba e eu sobrevivo. Volto me arrastando para o meu vilarejo. Entro em um casebre e uma mulher angelical de longo vestido branco e dourado me recebe nos braços. Uma mulher sem rosto. Uma anonima. Morro feliz em seus braços. Por muitos anos e talvez até hoje, talvez tenha sido um dos sonhos que mais me marcou. Volto e meia, me recordo dele. Talvez esse seja o erro … acreditar que milagrosamente alguém me amaria e me redimiria … me salvaria de mim mesmo … faria eu crer em mim mesmo … que a felicidade e o amor são possíveis …. Pois bem, já faz duas décadas que estou esperando … E agora já é tarde, não acredito mais nisso …

O que fazer quando seus poucos “amigos” lhe falham e vc se encontra quase sozinho consigo mesmo ? O que fazer quando os remédios, a nicotina ou o álcool não fazem mais efeito ?

Tentando cada vez mais ficar alheio ao mundo e as nossas dores vamos tentando acordar diariamente e ir trabalhar e ir para faculdade … mas o caminho é longo e tortuoso ….