Choquete no táxi, banalização e a morte do “Amor” …

Um conhecido postou um relato numa rede social que me inspirou a escrever sobre o assunto …

Estava ele voltando do trabalho de ônibus … eis que para ao lado do mesmo um táxi …. no táxi estava uma mulher fazendo sexo oral no motorista.

Isso me fez parar e pensar sobre muitas coisas correlatas.

Como, por exemplo, nesse fenômeno, que não acredito ter se iniciado na minha geração – suas origens remontam para algumas gerações atrás … Nesse fenômeno da banalização e da ridicularização do amor. Passei minha adolescência vendo meus colegas de turma competirem para ver quem, nas boates e baladas, “pegavam” um número maior de garotas. Nunca me identifiquei com isso, logo era segregado socialmente. Sabe, não sei se é por um “ultra-romantismo” iludido e falido, idealismo, saudosismo ou por algum pensamento retrógrado ou “atrasado”, mas eu nunca me conformei com esse estado de coisas … Um “grande amigo”, dessa época, hoje, por causa do pai rico, GANHOU uma boate na Barra (RJ) de presente … e vive postando fotos com lindas e “profundamente intelectualizadas” mulheres com a hashtag #vidadeherdeironãoéfácil …. Inveja minha ? Não … só fiquei triste quando soube do incêndio em uma boate não ter sido na dele … iria ter ficado bastante feliz … mas …o “cosmos” age por vontades estranhas …

Outra coisa é o fato da sociedade e de alguns amigos, se não todos, apresentarem fortes traços de misoginia … Sabe, não consigo me conformar com isso também … Como buscar uma companheira, uma pessoa para um relacionamento afetivo, se partem de um pressuposto que o outro lado da relação é nada mais que um objeto, ou algo a ser dominado e usado ? Não vejo as coisas por esse viés … Não se esquecendo de relativizar – muitas mulheres concordam com isso e até contribuem para tal …

Alguns amigos mais bem-aventurados, de espíritos mais livres, livres de constrições morais, éticas ou afetivas já me convidaram e quase me forçaram a ir em estabelecimentos de entretenimento onde mulheres podem ser “alugadas”. Não fui. Não quis. Não conseguiria me sentir bem em um lugar desses … O corpo tem suas necessidades, isso é óbvio … Mas me sentiria mal … pode ser uma limitação da minha personalidade, mas pra mim as coisas têm que ter sentimento, compromisso, … veracidade … posso estar iludido e errado, mas não sei ….

Olho para trás e vejo o casamento dos meus pais que foi sendo arrastado por mais de 20 anos … Aquele impulsionante amor inicial já tinha se esvaído há muito tempo, o que acarretou situações muito desagradáveis, traições, brigas infernais, até num clímax explosivo, acredito ter eu contribuído para ele acabar de uma vez …

Outra divagação: Alguém me disse noutro dia que viu dois “crackudos” transando na rua e ficou chocada, uma segunda pessoa pra quem contei a história também se chocou … Fico pensando: pessoas que não tem onde dormir, tomar banho ou defecar, … vão transar aonde ? E eu usei o termo “fazer amor” para o qual me responderam “eles estavam é fodendo” … os “crackudos” não podem amar ? Sua condição de miséria extrema os proíbe de num ato de extrema maldição fazer sexo na rua, na sarjeta, sua “moradia” … não podem eles também fazer amor e serem amados na miséria em que se encontram ? Não estou criticando as pessoas que me falaram isso, porque sei que foi em tom de brincadeira (pf !!), mas a reflexão é válida … ou então viajando um pouco mais: estariam eles também sujeitos às urgências do sexo casual sem compromisso ou então seriam eles também superficiais e misóginos ?

Voltamos a mulher no táxi … Será esse ato tão reprovável assim também ? Não sabemos os motivos que os levaram a tal circunstância, uns podem afirmar: e precisam existir motivos? Alguém não pode simplesmente transar porque quis e teve vontade ? É claro que pode, o que estou argumentando é o vazio e falta de significância nesses relacionamentos vazios, superficiais e etc que parecem constituir um novo padrão de vida e algo a ser seguido cegamente por todos …

Para fechar esse assunto:

Já faz alguns anos que para mim o “Amor” está MORTO. Pelo menos para minha pessoa. Alguns fatores contribuíram para se chegar a essa conclusão. A dificuldade de encontrar alguém que não seja superficial como nos parâmetros atuais; Algumas-muitas desilusões afetivas; e os nossos amigos que estão sempre presentes: um profundo self-hate e o pessimismo extremista. Mas eu posso dizer essas coisas, porque no meu modo racionalista fundamentalista de ser, eu pauto minhas decisões e minha vida em experiências empíricas verificadas e na nossa grande mãe, a História, ou seja, o passado. Assim como não creio em entidades e instâncias superiores, não consigo acreditar mais na possibilidade do amor. Há alguns anos atrás, quando andando pela rua encontrava flores pelo chão … eu pisava nelas … está tudo morto e enterrado. Parei com isso, elas não têm culpa … Acho muito difícil, hoje em dia, algo realmente me fazer mudar de opinião sobre tudo isso, uma luz clarear esse horizonte estranho … O “ultra-romântico” realmente deve morrer no século XXI … e ele vai morrer sozinho. Isso eu posso apostar.

Vou finalizar com duas músicas que sonorizam o que estou falando ….

Longe do Meu Lado
Legião Urbana

Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique a meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado

A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado

Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado

——————— x ———————-

Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me
The Smiths

Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope, no harm
Just another false alarm

Last night I felt
Real arms around me
No hope, no harm
Just another false alarm

So, tell me how long
Before the last one?
And tell me how long
Before the right one?

The story is old – I know
But it goes on
The story is old – I know
But it goes on

——— x ————–

“Amar é a maior punição que o cético poderia receber” (F. Carpinejar)

Vegetarianismo

Eu sempre tive muito respeito e admiração pelos vegetarianos … As pessoas que conseguem abdicar de comer animais …
Infelizmente, eu acostumado a duas décadas a sempre comer carne todos os dias, me parece muito difícil mudar a rotina … Merda! Mudar qualquer coisa na minha vida é uma catástrofe quase insuperável …

Complicado, porque, paradoxalmente, apesar de comer frango quase todos os dias, como à contra-gosto … prefiro carnes bovinas … Um dia numa churrascaria bem cara, descobri a costela de carneiro…. Jesus cristo que gosto sensacional … o gosto doce da morte de um pequeno carneirinho ….

O que falar da minha cozinha favorita, então ? A japonesa. Via-china (Tijuca) … Onde o sashimi de salmão desmancha na nervosa boca … é quase um orgasmo, quase não … é, puro deleite morticida !!

Absurdo. A velha e infame “Dialética do boi”.

Logo eu que amo tanto aos animais. Não consigo imaginar minha vida sem meu cocker spaniel … Um amor genuíno, incomensurável e o pior de tudo: incondicional … Você pode estar sujo, bêbado, irritado, indiferente ou prostrado … Sempre ele vem ao meu encontro, com o coração aberto, disposto a demonstrar um amor incompreensível, muitas vezes … Diria até desumano … Desumano ? Li em algum lugar que argumentava ser a perfeição, desumana. Poque se a perfeição existisse, fosse alcançável, ela perderia seus status de perfeito, tornaria-se humana, falha. Ah, diabos, não sei argumentar filosoficamente sobre isso, mas que fique registrado.

Vejo, então, fotos de um caminhão abarrotado de cachorros de rua sendo levados a um restaurante chinês. Uma repulsa e um ódio ilimitados toma posse até dos átomos da minha essência, sinto vontade de arrancar a pele e torturar de modo que até os militares brasileiros, iranianos ou a santa inquisição ficariam bestificados e sentiriam calafrios …

Agora a cultura tem um quê de excentricidade … porque fico eu possesso em pensar em alguém matar e comer um cachorro e não fico quando eu mesmo mato (sim porque quem come, mata) e como galinhas, cordeiros ou salmões ? Ou como quando mataram um pato em minha faculdade e eu me transloquei e me revoltei por completo … E ainda me emociono e apoio o Beagle Freedom Project … [aliás, quem estiver lendo isso faz um favor e olhe para o canto direito do site e dispense uns minutos para olhar o site deles …]

Meu pai viu em uma reportagem no globonews, 20 segundos do processo no qual é produzido o pâté de foie gras, ficou bestificado e acabou caindo no submundo quase sem censura do youtube e me confessou que ficou chorando sozinho por semanas sem ter me contado …

O genocídio bárbaro que é imposto aos animais é uma vergonha para a tão dita “humanidade” … O surreal é que se as pessoas soubessem como seus filés de frango, linguiças ou bifes fossem produzidos, ficariam tão chocados que provavelmente pensariam duas vezes antes de comer novamente …

Algo curioso: falando em genocídio, né? Dizem que Hitler era vegetariano … E aí ? O que pensar sobre isso ?

Afinal, o que fica ? Um desejo e uma promessa. Espero que agora, depois dessa tomada de consciência familiar, consigamos mudar nossa dieta e finalmente parar de matar seres inocentes e inofensivos, puros e ingênuos, algo muito diferente desta “raça” humana horrenda e detestável ….

“O homem é o lobo do homem”, pois bem, que passemos a comer literalmente uns aos outros, em vez dos animais … Talvez assim avançaremos …

[Meat is Murder – The Smiths]

“Heifer whines could be human cries
Closer comes the screaming knife
This beautiful creature must die
This beautiful creature must die
A death for no reason
And death for no reason is MURDER

And the flesh you so fancifully fry
Is not succulent, tasty or kind
It’s death for no reason
And death for no reason is MURDER

And the calf that you carve with a smile
Is MURDER
And the turkey you festively slice
Is MURDER
Do you know how animals die ?

Kitchen aromas aren’t very homely
It’s not “comforting”, cheery or kind
It’s sizzling blood and the unholy stench
Of MURDER

It’s not “natural”, “normal” or kind
The flesh you so fancifully fry
The meat in your mouth
As you savour the flavour
Of MURDER

NO, NO, NO, IT’S MURDER
NO, NO, NO, IT’S MURDER
Oh … and who hears when animals cry ?”

Shyness and Self-Hatred by Joseph Burgo

viaShyness and Self-Hatred.

Early in my career, when clients would talk about intense forms of self-criticism or self-loathing, I used to make interpretations that focused on the savage and perfectionistic superego. Over time, I’d help them develop the mental ability to withstand this savagery and protect themselves from it. Later, as I described in this earlier post, I began to think more about learning from experience and facing our actual faults: the ways that brutal attacks on the self can represent a refusal to accept who we really are, with all our warts and limitations, which then leads to a cycle of crime and punishment where we repeatedly atone for our “sins” but learn nothing about what drives them. I still believe both of these perspectives have value.

Lately, however, as I’ve begun to focus more on shame and the defenses against it, I’ve come to see that self-hatred is a kind of defense in itself. Especially as I delve deeper into the work of Sylvan Tomkins and Donald Nathanson, I’m coming to understand how both shyness and self-hatred are strategies for coping with the shame that comes from rejection. They’re both examples of what Tompkins calls the “Attack Self” script for managing the painful experience of shame. From a lay perspective, for readers who aren’t familiar with affect theory, this might seem counter-intuitive but bear with me. I need to lay a little groundwork.

Because we’re social animals, we want more than anything else to belong, to feel connected to and accepted by other people in our tribe or pack — to have friends and lovers, to be part of a family, etc. Finding ourselves rejected in the face of such longing, one of the most painful experiences we humans can know, causes us to feel shame; the earliest version of this thwarted longing to connect — failed attachment in the mother-infant relationship during the first two years of life — produces an especially severe sense of inner defect that I refer to as basic or core shame. As described in a post on my blog at Psychology Today, basic shame can thus be seen as the result of unrequited love.

For people afflicted with basic shame, avoiding the experience of vulnerability and rejection becomes the central focus of their lives. To feel rejected anew puts them in contact with the excruciating experience of being defective or “ugly” at their core; to protect themselves from this pain, they develop strategies to prevent rejection from occurring. Shyness and self-hatred are two such strategies, but there are others, as well: developing an idealized false self (narcissism) or projecting the defect into others and loathing it there (contempt).

One particularly powerful way to avoid the experience of shame is total isolation: the loner with virtually no contact makes rejection impossible, and thus will never feel the shame that goes along with it. Shy people, on the other hand, may participate in different social groups but remain more or less “invisible” within them. They keep their true selves hidden in order to avoid rejection: because nothing essential is revealed, no one can reject them. This is the price they pay for “belonging,” although it’s a very limited type of membership. In my experience, there’s “more than meets the eye” with shy people: their mild exterior often conceals intense feelings of competitiveness, arrogance and contempt for others — emotions far too “dangerous” to reveal because they might provoke rejection.

Self-hatred as a defensive strategy works in two ways. First of all, the person “takes control” of the experience by rejecting himself first. One visitor to the site put it this way: “You can’t hurt me anywhere near as much as I can hurt myself.” What the person wants to avoid most of all is sudden, unexpected rejection in the face of a longing to connect; in order to minimize or prevent that experience, the person takes control of it: Your rejection has no effect because I hate and reject myself already. Secondarily, self-hatred reinforces the urge to avoid exposure and vulnerability, discouraging the person from taking risks.

Dylan, a shy and extremely sensitive client in my practice, works in an office dominated by several extroverts. Although Dylan comes across as a bit aloof, he secretly longs to participate but keeps himself from doing so with an abusive internal monologue that constantly insists nobody would be interested in what he has to say. As a young boy, Dylan was bullied and suffered deeply from it. His shyness developed as a self-protective strategy: by remaining invisible, he hoped to avoid drawing attention to himself and thus further rejection and cruelty. In his later teens and early 20s, he took refuge in a “cool” sort of indifference, but he has lately comes to see that it masks a powerful longing to connect.

Several weeks ago, he went to visit a group of friends who still live in the city where he’d attended college, eagerly anticipating a reunion with his best buddy from that era. Dylan’s enthusiasm was met by the pointed indifference of his friend; the sense of rejection he felt in the face of his openness and vulnerability was unbearable, sending him into a week-long bout of debilitating self-hatred. Although it might at first seem that this type of self-hatred is only adding fuel to the fire, it actually exemplifies the two defensive maneuvers I described: (1) he takes control of the experience of rejection by doing it himself; and (2) self-hatred reinforces the message that it’s far too dangerous to risk vulnerability and additional shame.
This newer view of self-hatred is enabling me to help several current clients to cope in more effective ways with their underlying shame, to tolerable vulnerability and risk more easily and thus to initiate more authentic contact with other people, beginning with the psychotherapy relationship. Psychotherapy provides an atmosphere where vulnerability can gradually be risked as trust develops. Over time, clients learn to face the fear of shame and rejection, relinquishing defensive tactics such as extreme shyness or self-hatred. In this way, it provides a kind of healing that makes shame avoidance less dominant and enables them to connect with and reveal themselves to other people who matter to them — the most important need felt by all human beings.

viaShyness and Self-Hatred.

Engraxate de Almas

Uma mesa de bar. Um lugar sujo no meio do coração da cidade maravilhosa. Homens de Terno e de convicções, Jovens e belas mulheres se esbarram com catadores de lixo e moradores de rua.

Tentando ficar alheio ao mundo e a vida ao redor, bebo. Abobalhado pela Maria Joana, quase pergunto ao garçom do bar pela carta de vinhos. Ele deposita em minha mesa uma caneca de um vinho tinto anonimo e gelado, para quem já bebeu Angelica Zapata, Clos des Nobles e Miguel Torres, as coisas estão indo bem.

Aéreo e introspectivo não tomo muito as rédeas da conversa com minha companhia.

Há tempos estava pensando em engraxar as minhas botas, que já estão meio gastas. Já mandei re-pintá-las por umas R$40,00 pratas … mas o tempo vai destruindo a tudo e todos em seu caminho …

Eis que surge um ser esquelético carregando uma caixinha em minha frente. Custo a notar que trata-se de um garoto, uns 15 anos no máximo, apesar de aparentar ter uns quarenta. Custo também a notar que ele queria engraxar as minhas botas.

De inicio neguei, mas fui coagido pelo companheiro de mesa a aceitar a oferta. Ele disse que fazia por $1 ou $2 reais …

O choque de realidades me fez engolir com vergonha e rancor o tão nobre vinho enquanto o rapaz sentado no chão engraxava …

De súbito, ele começou a gritar que iria passar o brilho ainda e foi ficando bastante agitado e com raiva, não entendia e fiquei confuso e nervoso … até descobrir que esse era o sinal para trocar de pé.

Acabei dando umas $10 pratas para o garoto que saiu todo sorridente e contente. E então me senti como no filme “A lista de Schindler”, no final quando Schindler chora e percebe que se tivesse dado, se desfeito do anel, teria libertado mais 3 judeus, o terno, mais 20, o carro, mais 100 judeus … E percebi que poderia ter dado toda a minha carteira para o rapaz e ainda ficaria me sentido mal …

Como no conto da Lispector (Amor) … um encontro surreal desses te tira de todo o seu estado “normal” de espírito … você começa a pensar em porque cargas d’água você tem uma bota que é tão cara, veste roupa social, trabalha em um museu e ainda consegue andar por aí reclamando da sua tão desgraçada existência e solidão ….

Esse mundo é injusto demais … uns não têm quem os ame … uns não tem o que comer e têm que catar lixo ou engraxar sapatos de idiotas endinheirados e esnobes para poder sobreviver mais noite na sarjeta …

Férias (Julho – 2010)

Estou de férias.
O que significa isso ?
Significa dizer que afasto-me temporariamente dos meus dilemas e pensamentos depressivos? Descanso semestral? Que descanso?
Só consigo sentir o vazio. Esse vazio que me consome. A necessidade de me sentir desejado, possui forte impacto no cotidiano.
Porém, após tudo, sinto me afastado, como em 3ª pessoa. Falo sobre meu vazio existencial como se não fosse meu.
Não sei descrever o que é isso.
Futilidades preenchem meus dias.
A piada de parar de fumar !
Querem que eu pare com um dos poucos objetos de catarse que eu tenho. Deixem meus pulmões morrerem em paz.
Ah! Que perda de tempo!
Pra que eu ainda escrevo ?

Rio, Julho – 2010.

Mundo “luminoso” aos pedaços …

Acabo de presenciar uma cena digna de um clássico da literatura. 
Minha rua possui a felicidade de abrigar dois moradores de rua com “distúrbios” mentais, uma é uma senhora que vez por outra tira a roupa e discute com seu ex-marido imaginário … o outro é um homem alto que com muita raiva ameaça sempre matar todos que ousarem cruzar com o seu caminho … uma vez o viram portando uma peixeira de meio metro. 

Então … estava eu fumando um Parliament na varanda, ainda bastante embriagado e com as minhas perturbações da noite anterior quando me deparo com esta cena surreal. 

Este segundo homem estava em pé entre o meio fio e a calçada olhando para uma poça d’água no chão. Começou a falar e a gesticular sozinho com os olhos fixos na poça … cada vez com mais raiva ele começa a passar o pé com força na poça … sim … ele estava tentando “apagar” seu reflexo nela … ficou repetindo esse movimento durante um longo tempo e cada vez mais irritado …. 

Logo percebi que a desgraça de sua situação é a nossa desgraça de todos os dias … olhamos para os nossos espelhos todos os dias, enraivecidos, não reconhecemos a nós mesmos … ou simplesmente não admiramos o que vemos … quem nunca quis “pisar” em seu próprio reflexo e magicamente mudar o que nele aparece ? Nem todos nós somos Narcisos flutuando por aí ….

Ah … devaneios filosóficos …. é esse existencialismo maldito que envena e corrói feito praga inimiga …

 

Rio, 29/09/2013